Estou a perceber qualquer coisa mal ou está tudo DOIDO?
Tanto quanto eu consegui perceber disto, até agora, o Tratado de Lisboa proíbe os estados membros de se financiarem directamente junto do Banco Central Europeu (BCE). Isto faz com que, esses estados sejam obrigados a colocarem os seus títulos de dívida no mercado. No caso de Portugal, isto significa obter empréstimos a juros entre os 6 e os 7 %. Quem adquire estes títulos de dívida são, sobretudo, Bancos que não têm a limitação imposta aos estados. Isto significa que, os bancos que adquirem divida a 6%, podem depois obter um empréstimo junto do BCE à taxa directora que é, neste momento, 1% !!!! Se calhar, dando como garantia os títulos de dívida adquiridos!!! Grande negócio, não se arranja um assim para mim?
Mas o negócio não acaba aqui. Há um mercado secundário onde os títulos de dívida podem ser negociados. Ora o BCE tem andado nesse mercado a comprar dívida pública portuguesa!!!! Mas isto faz algum sentido? Um banco compra um milhão de Euros de dívida pública a 6% de juro, com o dinheiro emprestado pelo BCE a 1% e depois, ainda por cima, revende ao mesmo BCE esses títulos, mas agora com um juro superior!!!!! O que é que o banco fez para merecer encaixar os lucros dessa operação? NADA! Nem sequer meteu lá um cêntimo seu!!! Está tudo doido?
Nota: Sabe quem é que vai pagar o diferencial entre os 6% que os bancos cobram a Portugal pelos juros da dívida pública e o 1% que eles pagam ao BCE?
sábado, 18 de dezembro de 2010
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
O PIOR !!!!
Num comentário ao post que está aqui a seguir, o meu amigo Miguel do Vale, contesta a minha afirmação de que Cavaco Silva foi o pior presidente desde o 25 de Abril. Aqui vai a minha justificação.
O Presidente tem dois tipos de funções: de representação e de influencia política.
Quanto à representação, estamos conversados. Cavaco Silva é uma verdadeira desgraça. Tem uma pose rígida, um sorriso paternalista, uma voz que não ajuda e, pior de tudo, um discurso majestático totalmente ultrapassado que, muitas vezes, cai no ridículo. Para mais, naquele momento único em que ele não podia falhar de maneira nenhuma, quando o Presidente Checo teve uma atitude humilhante para com o nosso país, Cavaco Silva, no palanque ao lado, engoliu o quase insulto e manteve o sorriso de cera como se nada se passasse!!! Porque é que alguém pode querer ser representado por alguém assim é algo que não percebo.
O resto das funções do Presidente são aquilo que chamei de influência política. Neste aspecto, Cavaco não só se revelou inábil (lembram-se do episódio das escutas em Belém) como prosseguiu a sua agenda neo-liberal, que já tinha posto em prática enquanto Primeiro Ministro. Ora essa política económica neo-liberal é exactamente o que está na origem da crise que atravessamos. Querer Cavaco Silva de novo em Belém é como querer apagar um incêndio com petróleo!
No comentário o Miguel do Vale chama a atenção para os alertas de Cavaco relativamente ao estatuto autonómico dos Açores e à situação económica. O estatuto dos Açores, não tem, ao contrário do que diz, nada a ver com o que se está a passar agora porque o Governo Regional já tinha autonomia financeira na versão anterior. Aliás, na prática do dia a dia, ainda não aconteceu nada que demonstrasse que as alterações introduzidas mereciam todo o estardalhaço que Cavaco Silva fez em torno delas. Foi um claro exagero, mais um a demonstrar a sua falta de habilidade. Quanto aos avisos económicos, são muito engraçados quando vindos de alguém que contribuiu para a crise! E foram feitos quando toda a gente já tinha percebido que estávamos em crise e provocaram, na altura, um agravamento da situação. Só provaram que Cavaco Silva também não sabe quando deve estar calado!
Estas são as minhas razões. Não tem nada a ver com as fitas cortadas ou outras futilidades do mesmo género que o Miguel invoca no seu comentário.
O Presidente tem dois tipos de funções: de representação e de influencia política.
Quanto à representação, estamos conversados. Cavaco Silva é uma verdadeira desgraça. Tem uma pose rígida, um sorriso paternalista, uma voz que não ajuda e, pior de tudo, um discurso majestático totalmente ultrapassado que, muitas vezes, cai no ridículo. Para mais, naquele momento único em que ele não podia falhar de maneira nenhuma, quando o Presidente Checo teve uma atitude humilhante para com o nosso país, Cavaco Silva, no palanque ao lado, engoliu o quase insulto e manteve o sorriso de cera como se nada se passasse!!! Porque é que alguém pode querer ser representado por alguém assim é algo que não percebo.
O resto das funções do Presidente são aquilo que chamei de influência política. Neste aspecto, Cavaco não só se revelou inábil (lembram-se do episódio das escutas em Belém) como prosseguiu a sua agenda neo-liberal, que já tinha posto em prática enquanto Primeiro Ministro. Ora essa política económica neo-liberal é exactamente o que está na origem da crise que atravessamos. Querer Cavaco Silva de novo em Belém é como querer apagar um incêndio com petróleo!
No comentário o Miguel do Vale chama a atenção para os alertas de Cavaco relativamente ao estatuto autonómico dos Açores e à situação económica. O estatuto dos Açores, não tem, ao contrário do que diz, nada a ver com o que se está a passar agora porque o Governo Regional já tinha autonomia financeira na versão anterior. Aliás, na prática do dia a dia, ainda não aconteceu nada que demonstrasse que as alterações introduzidas mereciam todo o estardalhaço que Cavaco Silva fez em torno delas. Foi um claro exagero, mais um a demonstrar a sua falta de habilidade. Quanto aos avisos económicos, são muito engraçados quando vindos de alguém que contribuiu para a crise! E foram feitos quando toda a gente já tinha percebido que estávamos em crise e provocaram, na altura, um agravamento da situação. Só provaram que Cavaco Silva também não sabe quando deve estar calado!
Estas são as minhas razões. Não tem nada a ver com as fitas cortadas ou outras futilidades do mesmo género que o Miguel invoca no seu comentário.
sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
Haja Esperança
Confesso que sou apoiante de Manuel Alegre. E que não estou muito optimista. Na realidade, estou convencido que, o pior Presidente da República desde o 25 de Abril (sim, Cavaco Silva) será reeleito, infelizmente. Mas hoje, ganhei alguma esperança. É que, este senhor que tem a fotografia aqui ao lado, numa crónica do público que só li em diagonal (já não tenho paciência tanto disparate) chama a Manuel Alegre "morto". BOA! Com o jeito que este senhor tem para errar a pontaria... pode ser que Manuel Alegre ainda vá à segunda volta e corra com aquele cinzentão do palácio de Belém :-) . Quem sabe!
Nota: Repararam no alvo desenhado por detrás? Usem-no à vontade ;-)
Nota: Repararam no alvo desenhado por detrás? Usem-no à vontade ;-)
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
Revisitando o passado....
Talvez seja por Sá Carneiro ter morrido em Dezembro, ou por um qualquer estranho efeito da época natalícia, mas em Dezembro, periodicamente, lá vem outra vez o "atentado" de camarate à baila. Da última vez, em 2006, foi a revista "Focus" (nem sei se ainda se publica) que descobriu um bruxo que se dizia responsável pelo atentado. Nessa altura escrevi este post no blog que partilhava com alguns amigos, o Con(tro)versas. Ponho aqui o link porque acho que mantém toda a actualidade, apesar de, entretanto, terem passado quatro anos.
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
Estou de Volta
Pois é, resolvi voltar a Blogar! Mais de dois anos depois do meu último post, cá estou eu de novo.
Porquê o interregno? Simplesmente porque não estive motivado para isto. Não me apeteceu, e pronto.
Porquê o regresso? Porque ando tão irritado com aquilo que vejo por aí que tenho vontade de gritar.
Vai ser para continuar? Neste momento penso que sim, mas não prometo nada.
Mudanças: Aqui ao lado vai passar a estar uma secção própria chamada "Galeria dos Horrores". São aqueles que eu acho que se distinguem mesmo pelos piores motivos. Vai sendo preenchida aos poucos, à medida que eu tiver tempo e vontade. O primeiro, já lá está, outros dois já estão pensados e, a seu tempo lá irão parar. Tenho mais algumas ideias, mas a seu tempo se verá (ou não).
Alguém leu isto?
Porquê o interregno? Simplesmente porque não estive motivado para isto. Não me apeteceu, e pronto.
Porquê o regresso? Porque ando tão irritado com aquilo que vejo por aí que tenho vontade de gritar.
Vai ser para continuar? Neste momento penso que sim, mas não prometo nada.
Mudanças: Aqui ao lado vai passar a estar uma secção própria chamada "Galeria dos Horrores". São aqueles que eu acho que se distinguem mesmo pelos piores motivos. Vai sendo preenchida aos poucos, à medida que eu tiver tempo e vontade. O primeiro, já lá está, outros dois já estão pensados e, a seu tempo lá irão parar. Tenho mais algumas ideias, mas a seu tempo se verá (ou não).
Alguém leu isto?
segunda-feira, 8 de setembro de 2008
Desperdício Diário
“Bom, mas que fazer?” perguntará algum improvável leitor das minhas notas. Parece que não há solução. Será? Não!!!
Deixem-me contar o resto da história: quando chego, uso um computador pessoal para aceder a uma rede que me põe em contacto com os dois computadores com que trabalho: o de desenvolvimento e o de exploração (sim, pertenço à má raça dos informáticos!). Ora, com a tecnologia actual, isto podia ser feito a partir de minha casa, com toda a segurança e conforto. Mais, o equipamento para o permitir fazer já existe, não era preciso investir nada. É claro que, algumas vezes teria de me deslocar ao meu actual local de trabalho, mas seria muito menos do que actualmente. Para mim, isto representava uma apreciável poupança em gasolina, desgaste do carro, custo dos transportes (mesmo com passe social), e, sobretudo, em TEMPO. Para a sociedade, era menos poluição, menos dependência de gasolina, etc. Só ficava a perder a minha forma física mas, enfim, eu acho que era capaz de encontrar um substituto mais agradável para a senhora subida diária!
Então, porque não se faz? Por inércia. Porque nesta sociedade neo-liberal e conservadora só se faz o que interessa às empresas. Aquilo que beneficia indivíduos como eu e tu que me lês só se faz se algum de nós for um “tubarão” da política ou da finança. Caso contrário a resposta que se ouve de quem podia decidir é “É, a ideia é boa… Mas que é que eu ganho com isso?”
segunda-feira, 28 de julho de 2008
EU NÃO PAGO!
O Sr. Jaime Ramos, secretário do PSD-M, e candidato não anunciado à sucessão do seu querido Alberto João Jardim, num comício-palhaçada que o PSD-M custuma organizar por esta época, teve esta saída brilhante:
- “Se Portugal quer manter a Madeira unida a Portugal tem de pagar a tempo e horas senão vai ter uma acção de despejo” (notícia aqui).
Novidades para si, sr. secretário geral: no que depender de mim NÃO PAGO. Já dei demais para esse peditório. O sr AJJ anda a fazer figura de grande homem, há 30 anos com o dinheiro dos outros. Das poucas coisas boas que o Socrates fez foi mesmo fazer frente a este desmando. Por isso, Sr. secretário geral, vá metendo a papelada para a acção de despejo.
- “Se Portugal quer manter a Madeira unida a Portugal tem de pagar a tempo e horas senão vai ter uma acção de despejo” (notícia aqui).
Novidades para si, sr. secretário geral: no que depender de mim NÃO PAGO. Já dei demais para esse peditório. O sr AJJ anda a fazer figura de grande homem, há 30 anos com o dinheiro dos outros. Das poucas coisas boas que o Socrates fez foi mesmo fazer frente a este desmando. Por isso, Sr. secretário geral, vá metendo a papelada para a acção de despejo.
quarta-feira, 16 de julho de 2008
História da Minha Ida ao Banco
Faltava pouco para as 9h dum dia de semana quando entrei numa agência, dum dos maiores bancos privados portugueses. E, logo à entrada, a 1ª contrariedade! Das 4 caixas, só a do lado esquerdo estava a atender clientes, que já formavam uma bem-comportada bicha até meio da sala. Resignado tomei o meu lugar.
Na caixa da ponta direita estava sentado um funcionário com ar descontraído, a ler um folheto. Não sei porquê, dei comigo a imaginar a mesma cena mas numa repartição de finanças! “Mas você está a ver aquilo?!” disse-me o contribuinte imaginário por trás de mim; “Ali, sentadinho, a ler, todo satisfeito… E nós, à espera! Então não podia estar a atender as pessoas como a colega? Pfff, isto só visto”. Sorri-lhe e virei a minha atenção para a minha caixa. A funcionária estava a revelar uma eficiência inesperada, já só tinha dois “contribuintes” à minha frente. O que estava na frente avançou com ar decidido e entregou-lhe um gordo maço de notas, que fez o meu modesto cheque corar de vergonha. Ela pegou no maço e começou a dividi-lo em molhinhos que atirava para dentro duma daquelas máquinas de contar notas. Pior que tudo, na outra mão, ele tinha um envelope cheio de cheques… “Ai” gemeu o meu amigo contribuinte, “agora é que nunca mais saímos daqui!”
Já passava das 9 quando outra funcionária entrou na agência e tomou o seu lugar na caixa ao lado. O cliente à minha frente avançou e foi rapidamente atendido. Era a minha vez. Avancei, entreguei o cheque e o BI, “É para levantar”, disse… Ela baixou um olhar enjoado para o cheque, virou-se para o monitor, mexeu no rato, pegou no cheque, abriu a boca que fechou logo a seguir, quando viu que o cheque já estava endossado, agarrou no meu BI e começou a “ticar” os elementos de identificação no cheque. Devolveu-me o BI, pegou no cheque, voltou a “clicar” no rato, virou-se para o outro lado, enfiou o cheque numa daquelas maquinetas de leitura de banda óptica, bzzzt, meia volta, recuperou o cheque, virou-o de frente, olhou várias vezes para o monitor e para o cheque, enquanto parecia balbuciar baixinho, chegou-se à secretária e pousou o cheque. “É agora”, pensei eu, “Temos de esperar um pouco”, disse ela! Devo ter feito cara de parvo porque ela acrescentou com um meio sorriso “Eu já o chamo”.
Era a minha deixa para sair dali. Passei os momentos seguintes à procura dum lugar, na estreita sala, onde não fosse confundido com a parte terminal da solitária bicha que apontava às caixas. Quando o consegui pus-me a pensar no que se estaria a passar.
Hipótese 1-Por engano, tinham dado o meu cheque como roubado. Nesse caso, a funcionária devia ter accionado um alarme e, neste momento, já vinha a caminho, “ti-nó-ni”, uma carrinha com dois agentes da PJ. Dentro em breve eles iam entrar, um ficava à porta enquanto o outro se dirigia à funcionária. Ela faria um discreto sinal na minha direcção, o agente aproximava-se com cara de poucos amigos, “Agente fulano do FBI, quer dizer, da PJ, faça o favor de me acompanhar”, agarrava-me rudemente por um braço e, com a ajuda do colega, atirava-me para o banco traseiro da carrinha que partia disparada para a sede da PJ, onde eu ia passar o resto da manhã a provar a minha inocência! A menos que tropeçasse no juiz Rui Teixeira, caso em que passaria os 2 meses seguintes a tentar perceber do que era acusado. Ai, que me vou atrasar…
Hipótese 2-Pior um pouco. A conta tinha sido erradamente identificada como a de um perigoso bando de narcotraficantes internacionais. Nesse caso era o GOE e não a PJ que tinha sido chamado. Se calhar já estavam a tomar posições à volta da agência. Disfarçadamente, espreitei pela porta envidraçada. Tudo calmo. “Isso não quer dizer nada!” sussurrou o contribuinte por trás de mim. “Eles são muito discretos”.
Estes agradáveis pensamentos foram interrompidos ao ver que, a funcionária que me atendeu, tinha posto outro cliente em espera. Sorri ao ver o seu ar atrapalhado enquanto, tal como eu pouco tempo antes, procurava um sítio onde não fosse confundido com… vocês sabem o quê. Como tinha um ar um pouco mais façanhudo do que eu, atribui-lhe o papel de narcotraficante, reservando para mim o mais modesto de ladrãozeco de cheques.
Entretanto a funcionária estava a chamar-me. Aproximei-me, ela identificou-me pelo nome no cheque, pegou num maço de notas, usou uma maquineta para as contar e entregou-me o dinheiro. Algo desiludido por não ir conhecer nenhum agente do FBI-PJ-GOE, resolvi esclarecer a minha curiosidade. “Porque é que tivemos de esperar?” perguntei. “Porque eu não tinha dinheiro!”, respondeu ela. Devo ter feito cara de parvo outra vez porque ela voltou a pôr o meio-sorriso e explicou-me, “é que os nossos cofres são temporizados e eu tinha acabado de chegar”. Agradeci e saí.
Já na rua, o contribuinte veio atrás de mim. “Mas, você viu aquilo” disse-me ele com ar revoltado. “Mas dá para acreditar?” acrescentou sem me dar tempo de responder. “Então, fez-nos esperar aquele tempo todo pelo dinheiro, enquanto tinha, na caixa ao lado, um montão de notas!!!!”. “Sabe o que é que eles estão a precisar? De serem privatizados! Sim, sim! Se tivessem um patrão a olhar para eles nada disto acontecia, pode ter a certeza!”. Sorri-lhe, fiz-lhe um sim mental com a cabeça e apressei-me. 9:15! Gaita que estava mesmo atrasado.
Nota: para além dos agentes do FBI-PJ-GOP e do contribuinte, que não se costumam encontrar em agências bancárias, todos os outros pormenores desta história são verídicos.
Na caixa da ponta direita estava sentado um funcionário com ar descontraído, a ler um folheto. Não sei porquê, dei comigo a imaginar a mesma cena mas numa repartição de finanças! “Mas você está a ver aquilo?!” disse-me o contribuinte imaginário por trás de mim; “Ali, sentadinho, a ler, todo satisfeito… E nós, à espera! Então não podia estar a atender as pessoas como a colega? Pfff, isto só visto”. Sorri-lhe e virei a minha atenção para a minha caixa. A funcionária estava a revelar uma eficiência inesperada, já só tinha dois “contribuintes” à minha frente. O que estava na frente avançou com ar decidido e entregou-lhe um gordo maço de notas, que fez o meu modesto cheque corar de vergonha. Ela pegou no maço e começou a dividi-lo em molhinhos que atirava para dentro duma daquelas máquinas de contar notas. Pior que tudo, na outra mão, ele tinha um envelope cheio de cheques… “Ai” gemeu o meu amigo contribuinte, “agora é que nunca mais saímos daqui!”
Já passava das 9 quando outra funcionária entrou na agência e tomou o seu lugar na caixa ao lado. O cliente à minha frente avançou e foi rapidamente atendido. Era a minha vez. Avancei, entreguei o cheque e o BI, “É para levantar”, disse… Ela baixou um olhar enjoado para o cheque, virou-se para o monitor, mexeu no rato, pegou no cheque, abriu a boca que fechou logo a seguir, quando viu que o cheque já estava endossado, agarrou no meu BI e começou a “ticar” os elementos de identificação no cheque. Devolveu-me o BI, pegou no cheque, voltou a “clicar” no rato, virou-se para o outro lado, enfiou o cheque numa daquelas maquinetas de leitura de banda óptica, bzzzt, meia volta, recuperou o cheque, virou-o de frente, olhou várias vezes para o monitor e para o cheque, enquanto parecia balbuciar baixinho, chegou-se à secretária e pousou o cheque. “É agora”, pensei eu, “Temos de esperar um pouco”, disse ela! Devo ter feito cara de parvo porque ela acrescentou com um meio sorriso “Eu já o chamo”.
Era a minha deixa para sair dali. Passei os momentos seguintes à procura dum lugar, na estreita sala, onde não fosse confundido com a parte terminal da solitária bicha que apontava às caixas. Quando o consegui pus-me a pensar no que se estaria a passar.
Hipótese 1-Por engano, tinham dado o meu cheque como roubado. Nesse caso, a funcionária devia ter accionado um alarme e, neste momento, já vinha a caminho, “ti-nó-ni”, uma carrinha com dois agentes da PJ. Dentro em breve eles iam entrar, um ficava à porta enquanto o outro se dirigia à funcionária. Ela faria um discreto sinal na minha direcção, o agente aproximava-se com cara de poucos amigos, “Agente fulano do FBI, quer dizer, da PJ, faça o favor de me acompanhar”, agarrava-me rudemente por um braço e, com a ajuda do colega, atirava-me para o banco traseiro da carrinha que partia disparada para a sede da PJ, onde eu ia passar o resto da manhã a provar a minha inocência! A menos que tropeçasse no juiz Rui Teixeira, caso em que passaria os 2 meses seguintes a tentar perceber do que era acusado. Ai, que me vou atrasar…
Hipótese 2-Pior um pouco. A conta tinha sido erradamente identificada como a de um perigoso bando de narcotraficantes internacionais. Nesse caso era o GOE e não a PJ que tinha sido chamado. Se calhar já estavam a tomar posições à volta da agência. Disfarçadamente, espreitei pela porta envidraçada. Tudo calmo. “Isso não quer dizer nada!” sussurrou o contribuinte por trás de mim. “Eles são muito discretos”.
Estes agradáveis pensamentos foram interrompidos ao ver que, a funcionária que me atendeu, tinha posto outro cliente em espera. Sorri ao ver o seu ar atrapalhado enquanto, tal como eu pouco tempo antes, procurava um sítio onde não fosse confundido com… vocês sabem o quê. Como tinha um ar um pouco mais façanhudo do que eu, atribui-lhe o papel de narcotraficante, reservando para mim o mais modesto de ladrãozeco de cheques.
Entretanto a funcionária estava a chamar-me. Aproximei-me, ela identificou-me pelo nome no cheque, pegou num maço de notas, usou uma maquineta para as contar e entregou-me o dinheiro. Algo desiludido por não ir conhecer nenhum agente do FBI-PJ-GOE, resolvi esclarecer a minha curiosidade. “Porque é que tivemos de esperar?” perguntei. “Porque eu não tinha dinheiro!”, respondeu ela. Devo ter feito cara de parvo outra vez porque ela voltou a pôr o meio-sorriso e explicou-me, “é que os nossos cofres são temporizados e eu tinha acabado de chegar”. Agradeci e saí.
Já na rua, o contribuinte veio atrás de mim. “Mas, você viu aquilo” disse-me ele com ar revoltado. “Mas dá para acreditar?” acrescentou sem me dar tempo de responder. “Então, fez-nos esperar aquele tempo todo pelo dinheiro, enquanto tinha, na caixa ao lado, um montão de notas!!!!”. “Sabe o que é que eles estão a precisar? De serem privatizados! Sim, sim! Se tivessem um patrão a olhar para eles nada disto acontecia, pode ter a certeza!”. Sorri-lhe, fiz-lhe um sim mental com a cabeça e apressei-me. 9:15! Gaita que estava mesmo atrasado.
Nota: para além dos agentes do FBI-PJ-GOP e do contribuinte, que não se costumam encontrar em agências bancárias, todos os outros pormenores desta história são verídicos.
terça-feira, 8 de julho de 2008
Entre Tempos e Projectos
Há pouco mais de dois anos criei, juntamente com dois amigos, um blog chamado Con(tro)versas. Era um blog com um projecto bem definido e que, sobretudo no início, me entusiasmou. Não vou falar sobre o que foi o projecto Con(tro)versas e porque é que, passado um ano, o abandonei. Quem estiver interessado nisso pode esclarecer-se aqui e aqui.Eu tendo a ser um pouco sentimental nestas coisas e, o abandono de um projecto que sentia como meu, levou-me a nem querer pensar mais em blogs. Até há pouco tempo...
Agora, a vontade de voltar a escrever e a blogar reapareceu. O que me trouxe até aqui. Enquanto não me aparece outro projecto que me entusiasme novamente, este é o meu pouso: um modesto blog, sem outra função que não seja a de ser receptáculo daquilo que na altura me apetecer escrever. Sem qualquer obrigação, sem tema e, provavelmente, sem outros leitores que não eu próprio. Não importa! Mas se está a ler este ou outro post e quiser comentar, faça favor. Prometo responder a todos.
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