domingo, 20 de março de 2011

Entre Tempos (muito) Difíceis

Não tenho tido tempo (pior - nem paciência) para vir aqui. Mas agora tinha de ser. Estou entre o preocupado e o assustado com tudo o que está a acontecer, por cá e por lá (fora).


Por cá, dia 12, estive numa das maiores manifestações em Lisboa, desde o 25 de Abril, já lá vão 37 anos. E há 37 anos que não ouvia gritar, espontaneamente, "O povo, unido, jamais será vencido". Essa foi a parte boa. A parte preocupante vem a seguir. No dia seguinte soube que, logo no início da manifestação seguia um grupo neo-nazi. Quando cheguei, recebi uma "charge" em forma de imitação de nota de 500, que foi concebida pela JSD. PCP e BE apoiaram a manifestação mas tiveram o bom senso de serem discretos. Ao meu lado, seguia um grupo com bandeiras vermelhas e pretas que, vim a perceber, eram os representantes dum movimento anarco-sindicalista internacional! O que é que isto diz? Que o traço de união entre os manifestantes era a rejeição, pura e simples, da política governamental e não o apoio explicito a qualquer orientação política ou simples medida para corrigir os erros governamentais. Pior, pela leitura do fórum que sucedeu à página do facebook que serviu para mobilizar a manifestação, verifica-se que, a maioria dos participantes, não tem a noção de que estavam a protestar contra o resultado de 30 anos de política neo-liberal. Esta é uma situação muito perigosa. Temos uma grande massa descontente mas desorientada... A situação ideal para aparecer um demagogo populista que a arraste para "soluções" desastrosas.

Lá por fora, a revolução islâmica continua a bom ritmo. Mais uma vez essa é a boa notícia a que se seguem sinais preocupantes. Na Líbia, a comunidade internacional fez ouvidos de mercador aos apelos para a criação duma zona de exclusão aérea, que teria impedido o contra-ataque de Kadhafi, até parecer ser tarde demais. Depois, aquilo que andaram a dizer ser muito difícil de concretizar, realizou-se em 2 dias. Bastou Kadhafi dizer, numa entrevista a uma televisão alemã, que considerava os países ocidentais traidores e que ia passar a vender o "seu" petróleo a países como a Rússia, a China e a Índia. E pronto! De repente o difícil tornou-se fácil. Entretanto, Estados Unidos e UE fecham os olhos à entrada de forças militares da ditatorial Arábia Saudita no Bahrein para reprimirem manifestantes com os mesmos ideais dos que (agora) querem proteger na Líbia!

Faltou falar do Japão - mais um muito preocupante. Mas terá de ser noutra altura.

1 comentário:

  1. É muito bom para quem se preocupa com o que se passa por cá e por lá ler, num blog, um resumo sintetico, mas onde é dito o que é preciso dizer.

    Isabel

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