quarta-feira, 23 de março de 2011

ADEUS...

... que já vais tarde. José Sócrates foi o 2º pior primeiro ministro da época democrática, só batido pelo incrível Santana Lopes. Ele representou o culminar da rendição do PS à direita e ao neo-liberalismo. Rendição que começou com Mário Soares, a pôr o socialismo na gaveta, e que terminou agora com este governo PS tão reaccionário, que teria feito corar de vergonha alguns dos seus fundadores, se tal lhes fosse descrito no acto de fundação. Este era o pior governo que eu podia desejar. Era um governo de direita, a aplicar medidas de direita, mas a atirar com a fama e as consequências dessas medidas para a esquerda. Hoje, no parlamento, um dos ministros deste lamentável governo, acusava a esquerda parlamentar de ter sido a muleta da direita, de lhe ter aberto caminho para o governo! MENTIRA! A direita já estava no governo, há muito tempo.

Que se segue? Bom, devido a um fenómeno que eu não consigo perceber muito bem, parece que, depois de uma imitação rasca da direita, os portugueses querem experimentar o artigo genuíno. Ainda não se fartaram de sofrer? Querem ser despedidos mais facilmente e ter mais mês no fim do ordenado? Acham que os bancos, os especuladores, as "offshores" e quejandos ainda não nos esmifraram o suficiente? Bom, eu não sei porquê, mas parece que é para aí que vamos! É caso para dizer: estávamos à beira do abismo mas, agora, vamos dar um passo em frente!

Há muito tempo, num debate, eu disse que o ideal do neo-liberalismo era a escravatura. Parece que querem provar-me, a todo o custo, que eu tinha razão! Caramba, não era preciso. Se é só por isso deixem lá. É que, para pior, já basta assim!

domingo, 20 de março de 2011

Entre Tempos (muito) Difíceis

Não tenho tido tempo (pior - nem paciência) para vir aqui. Mas agora tinha de ser. Estou entre o preocupado e o assustado com tudo o que está a acontecer, por cá e por lá (fora).


Por cá, dia 12, estive numa das maiores manifestações em Lisboa, desde o 25 de Abril, já lá vão 37 anos. E há 37 anos que não ouvia gritar, espontaneamente, "O povo, unido, jamais será vencido". Essa foi a parte boa. A parte preocupante vem a seguir. No dia seguinte soube que, logo no início da manifestação seguia um grupo neo-nazi. Quando cheguei, recebi uma "charge" em forma de imitação de nota de 500, que foi concebida pela JSD. PCP e BE apoiaram a manifestação mas tiveram o bom senso de serem discretos. Ao meu lado, seguia um grupo com bandeiras vermelhas e pretas que, vim a perceber, eram os representantes dum movimento anarco-sindicalista internacional! O que é que isto diz? Que o traço de união entre os manifestantes era a rejeição, pura e simples, da política governamental e não o apoio explicito a qualquer orientação política ou simples medida para corrigir os erros governamentais. Pior, pela leitura do fórum que sucedeu à página do facebook que serviu para mobilizar a manifestação, verifica-se que, a maioria dos participantes, não tem a noção de que estavam a protestar contra o resultado de 30 anos de política neo-liberal. Esta é uma situação muito perigosa. Temos uma grande massa descontente mas desorientada... A situação ideal para aparecer um demagogo populista que a arraste para "soluções" desastrosas.

Lá por fora, a revolução islâmica continua a bom ritmo. Mais uma vez essa é a boa notícia a que se seguem sinais preocupantes. Na Líbia, a comunidade internacional fez ouvidos de mercador aos apelos para a criação duma zona de exclusão aérea, que teria impedido o contra-ataque de Kadhafi, até parecer ser tarde demais. Depois, aquilo que andaram a dizer ser muito difícil de concretizar, realizou-se em 2 dias. Bastou Kadhafi dizer, numa entrevista a uma televisão alemã, que considerava os países ocidentais traidores e que ia passar a vender o "seu" petróleo a países como a Rússia, a China e a Índia. E pronto! De repente o difícil tornou-se fácil. Entretanto, Estados Unidos e UE fecham os olhos à entrada de forças militares da ditatorial Arábia Saudita no Bahrein para reprimirem manifestantes com os mesmos ideais dos que (agora) querem proteger na Líbia!

Faltou falar do Japão - mais um muito preocupante. Mas terá de ser noutra altura.