quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Despertar Árabe

Não escondo o prazer que me dá o que está a acontecer no médio-oriente! Primeiro, e fundamentalmente, porque fico sempre feliz quando vejo um ditador ser corrido, e aqui já foi um (Tunísia) e outros 4 (Egipto, Jordânia, Iémene e Síria) tremem ou estão mesmo a cair. Depois, porque isto vem provar algo que eu digo há muito tempo: É preciso esperar pela altura certa.

Os países ocidentais têm tido para com os países árabes (e não só) uma de duas atitudes: ou apoiam, mais ou menos descaradamente, ditaduras ferozes com o povo mas subservientes perante eles (Egipto, Emiratos, etc) ou, quando isso lhes dá jeito, impõem à força regimes "democráticos" (Iraque, Afeganistão). Se a primeira é, claramente, condenável... a segunda não lhe fica muito atrás! Sempre disse que democracias impostas do exterior acabam em ditaduras. Se não foi desejada pela população, se não lutou por ela, o povo não vai reconhecer a "democracia" como algo seu. Em breve a situação deteriora-se, os dirigentes passam a ser vistos como correias de transmissão das potencias ocidentais, seguem-se confrontos, repressão e... bem vindos a uma nova ditadura. Por isso, é preciso esperar...

Bem, parece que a espera acabou. Os povos dos países árabes estão em pé de guerra com as ditaduras. Agora há uma oportunidade para a democracia nesses países. BOA SORTE.

Já agora: Não sei quase nada do pensamento político do senhor cuja foto está aqui ao lado. Não sei se é progressista ou conservador, nem isso agora interessa. Só sei que Muhamad ElBaradei já por 3 vezes tomou atitudes certas embora arriscadas. Há cerca de 2 anos, terminado o último mandato como director da Agência Internacional de Energia Atómica, onde fez um trabalho notável, foi para o seu Egipto tentar despertar a democracia. Não o conseguiu então (era preciso esperar) mas agora não hesitou em sair do conforto da sua casa em Amesterdão e juntar-se à revolta... Bravo! E boa sorte.