segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Desperdício Diário

Em período de trabalho a minha rotina matinal é… rotineira. Levanto-me, arranjo-me e começo a saga dos transportes: pego no meu carro, conduzo até à estação de comboio, salto para o segundo meio de transporte, comboio até Lisboa, terceiro transporte, Metro e, quando saio, ainda uso um quarto, as minhas pernas, para um percurso que não é desprezível e que termina numa senhora subida bem inclinada, que tem feito maravilhas pela minha condição física! Tudo junto, levo cerca de 1 hora e 15 ou 30 minutos. Como repito a cena ao fim do dia (excepto a subida, felizmente transmutada em descida), perco entre 2 horas e meia a 3 horas por dia em transportes. Ao todo 12 e meia a 15 horas por semana, 55 a 66 horas por mês !!!!! Safa!

“Bom, mas que fazer?” perguntará algum improvável leitor das minhas notas. Parece que não há solução. Será? Não!!!

Deixem-me contar o resto da história: quando chego, uso um computador pessoal para aceder a uma rede que me põe em contacto com os dois computadores com que trabalho: o de desenvolvimento e o de exploração (sim, pertenço à má raça dos informáticos!). Ora, com a tecnologia actual, isto podia ser feito a partir de minha casa, com toda a segurança e conforto. Mais, o equipamento para o permitir fazer já existe, não era preciso investir nada. É claro que, algumas vezes teria de me deslocar ao meu actual local de trabalho, mas seria muito menos do que actualmente. Para mim, isto representava uma apreciável poupança em gasolina, desgaste do carro, custo dos transportes (mesmo com passe social), e, sobretudo, em TEMPO. Para a sociedade, era menos poluição, menos dependência de gasolina, etc. Só ficava a perder a minha forma física mas, enfim, eu acho que era capaz de encontrar um substituto mais agradável para a senhora subida diária!

Então, porque não se faz? Por inércia. Porque nesta sociedade neo-liberal e conservadora só se faz o que interessa às empresas. Aquilo que beneficia indivíduos como eu e tu que me lês só se faz se algum de nós for um “tubarão” da política ou da finança. Caso contrário a resposta que se ouve de quem podia decidir é “É, a ideia é boa… Mas que é que eu ganho com isso?”